Sem idéia

Volta à poesia

Chuva...
Frio que me consome
Onde estão agora seus abraços?
Esse vento que finge passar despercebido
E folhas que passam tão depressa
Faz eu insistir na minha promessa

De que a calma que embala minha vida
Que pulsa de dentro e me consome
Imitando o beijo da despedida
Agora já não existe
Simplesmente some

Palavras que são levadas pelo vento
Dobrando ruas
Pichando muros
Com idéias nuas
Enquanto existem tantos outros em apuros
Dizendo sussuros que insistem
Imitar a voz da natureza
E que nada mais têm
A não ser a certeza

Desses ar gelado me esquivo
Segurando o papel entre os dedos
Nada mais preciso
Para escrever o que vivo

Pra que chorar agora?
Se já não me resta
o calor de outrora?
Com a caneta e o papel
Vou reproduzindo a minha memória
Como o trabalho da abelha ao fazer o mel
Construo a minha história

(Nayara)



Categoria: Poesias
Escrito por Nayara às 14h18
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INFÂNCIA - ADOLÊSCÊNCIA - MATURESCÊNCIA - SENESCÊNCIA

Sou muito jovem para falar de mim; falar sobre o que sou, o que fui ou o que serei, até porque o tempo que vivi não me permitiria contar tantas histórias.
Certa noite, enquanto eu passava o tempo no meu quarto, parei para pensar no que ainda tenho para viver, e se tudo isso ainda vale a pena.
Lá estava eu, com cinco ou seis anos carregando um lápis e um caderninho que eu costumava levar para cima e para baixo, desenhando tudo o que eu via pela frente. A sala estava vazia e não havia nada que me incomodasse, aliás, não sabia que tipo de coisas me esperariam dalí para frente. Éramos somente eu e meu caderno de desenho.
Conforme fui desenhando casinhas mal desenhadas e linhas tortas, árvores redondas e nuvens azuis, não me preocupava com nada. Quem eu seria? Não me importava. Foi nesse momento que me deparei com uma imagem estranha. Olhei para a porta e vi a Nayara de dez anos "depois" entrando carregando uma pilha de livros, com 15 ou 16 anos. Sentou-se no sofá, ligou o som e colocou o CD do Pink Floyd, é...eu conhecia esse tal de "pink floyd", lembro-me bem quando minha mãe colocava o disco de vinil para tocar. Hum...pelo jeito, acabei gostando também, depois que passei a entender mais coisas. Minha outra "idade" continou sentada lendo alguma coisa que eu não pude compreender o que era, ficou fazendo movimentos com os dedos no sofá enquanto lia atentamente o que estava em suas mãos. Como não consegui chamar sua atenção, continuei com meus rabiscos indecifráveis. Levantei-me, com o caderno nas mãos e fui até ela:
- Ei?
Ela parou de ler e voltou os olhos para mim, esperando por alguma coisa:
- Sim?
- O que achou do meu desenho?
- Ahn, precisa melhorar. Agora continue desenhando, porque eu preciso terminar essa música aqui.
- Ah, você nunca dá atenção para mim não é? Você tem medo de voltar a ser criança?
- Eu? Claro que não, é que agora tenho que me preocupar com outras coisas.
- Não deveria, eu não me esqueci de você.
A porta voltou a abrir e novamente entrou a Nayara com 35 anos, usando um casaco por cima de uma roupa formal, os cabelos compridos e não tão desalinhados quanto àquela com 15 anos sentada à minha frente.
- O que é isso aqui?
- Isso o que? - perguntei ainda segurando meu caderno.
- Essa bagunça, todos esses papéis jogados. - disse ela começando a juntar tudo. Depois caminhou até o som e o desligou.
- Ei, eu estava ouvindo isso. - disse a adolescente.
- Sim, mas agora está ficando tarde e eu quero sossego. - disse-me secamente. Depois continuou me olhando e se aproximou:
- Deixe-me ver o que desenhou.
Entreguei-lhe o caderno e vi que esta sorria com lágrimas nos olhos.
- É...eu consegui o que eu queria. - me disse sorrindo.
- Como assim? - perguntei confusa.
- Deixe para lá, você tem muito o que aprender. - terminou com alguns pequenos tapas no meu ombro e se levantou olhando para a Nayara de quinze anos: - Ah, e você...continue estudando assim, porque nós chegamos a algum lugar, mas se quer um conhelho, páre e pense em outras coisas que tem para viver. Muitas coisas passam despercebidas porque você não quer parar para enxergar...pense nisso.
Um silêncio tomou conta da sala, eu não sabia o que fazer, porque não sabia o que me aguardava e percebi que a Nayara, que ouvia atentamente também parecia não se preocupar muito. Tudo foi interrompido por uma batida sincronizada na porta. A de 35 levantou-se e foi atender a porta:
- Pois não? - perguntou a uma senhora com os cabelos presos e com um sorriso estranhamente familiar.
- Estou procurando pelo tempo.
- Como?
- O tempo...me disseram que ele estaria aqui. - disse a ela adentrando vagarosamente na sala.
- Acho que não minha senhora. O que está dizendo?
- Estou dizendo sobre as coisas que você deixou passar.
- Não deixei passar nada, consegui tudo o que eu queria. - fez um gesto apontando as coisas a nossa volta.
- Ahh querida... você vai sentir falta de coisas que não fez, de ter arriscado mais, sem ficar presa às névoas que encobrem a visão do ser humano. Ao envelhecer vai perceber isso...
- Que tipo de coisas? - perguntei e vi que todos os olhos se voltaram para mim.
A senhora abaixou-se na altura dos meus olhos, com alguma dificuldade:
- Coisas que você ainda não pode compreender minha pequena. - disse-me e voltou-se para a de 15 anos: - Coisas que você sabe, mas ainda não tem certeza...mesmo assim, é uma jovem que quer fazer o que é certo e tem medo de desapontar alguém. - e por fim, voltou-se para a Nayara de 35 anos: -Coisas que só o tempo e a senescência poderão lhe fazer entender... - ela sorriu e olhou para todas nós.
- Mas não se preocupem minhas jovens...vocês ainda têm muito o que aprender.

 


 



Escrito por Nayara às 14h11
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It's time to say goodbye

IT'S TIME TO SAY GOODBYE

All my life
I was seeking someone like you
And now I know
I've lost my way
When you left

Now, I know
I can't lose no more time
'Cause you don't belong to me anymore
I swear, I'll try remember us
In a space that's too small in my heart

I can't explain why it's not enought
I can't live in your side
I can't take anymore
Please, don't say that you've given up on me
I don't want to cry again

I don't have to give you a reason
'cause I know that I gave it all to you
But now, you must flee from my arms
It's the better thing to do

Maybe, I've made some mistakes
I don't know when, why or how
But nobody's perfect
And now
I can't back anymore

Now, I know
I can't lose no more time
'Cause you don't belong to me anymore
I swear, I'll try remember us
In a space that's too small in my heart

(Nayara)



Categoria: Poesias
Escrito por Nayara às 13h18
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